submeta religiao
Ola', pessoal!
Estou anexando abaixo um texto transcrito de uma revista
catolica.
Nao sou muito chegado a esse negocio de transcricao, nao.
E' muito monotono, muito sem emocao. Prefiro uma pancadaria-
zinha de vez em quando... Alem disso, a gente perde um tempao
procurando os textos em centenas de revistas.
Eu planejava mesmo enviar essas transcricoes ao longo do
tempo. Resolvi apressa'-las para abreviar minha permanencia
nesta lista. Alem desta, vou enviar ainda so' mais outra co-
pia de texto catolico (provavelmente no proximo domingo).
Abracos para todos,
Lenimar N. Andrade
-------------- Inicio da transcricao --------------
AS FONTES DE FE' (Parte 2) - SOMENTE AS ESCRITURAS?
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Duas fontes ou uma?
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O Concilio do Vaticano II (1962-65) enfrentou sinceramente a
questao discutida: existem duas fontes de Revelacao Divina - a
Tradicao oral e a S. Escritura (como diziam alguns catolicos) ?
Ou existe apenas uma fonte - a S. Escritura (como dizem os pro-
testantes) ? Apos longos estudos, a assembleia conciliar se ex-
primiu afirmando haver uma so' fonte de Revelacao - a palavra
de Deus - e dois canais de transmissao da mesma - a S. Escritura
e a Tradicao oral. Estes dois canais se harmonizam mutuamente:
"A Sagrada Tradicao e a Sagrada Escritura relacionam-se
ambas da mesma fonte divina, fazem como que uma coisa so' e
tendem ao mesmo objetivo" (Constituicao Dei Verbum, n. 9).
O Concilio refere-se, logo a seguir, ao magisterio da Igreja
como orgao assistido pelo proprio Cristo para interpretar auten-
ticamente a Palavra de Deus transmitida por seus dois canais:
"O oficio de interpretar autenticamente a Palavra de Deus
escrita ou transmitida por via oral foi confiado unicamente ao
Magisterio vivo da Igreja, cuja autoridade se exerce em nome de
Jesus Cristo (...)" (Constituicao Dei Verbum, n. 10).
E' importante notar que o Magisterio da Igreja nao e' uma
terceira instancia ao lado da Palavra escrita e da Tradicao oral,
que transmita as verdades da fe', mas, em ultima analise, nao e'
senao a Tradicao oral que continua a falar autenticamente atraves
dos seculos. O Magisterio so' se pronuncia depois de auscultar a
Palavra de Deus oral e escrita existente no deposito da Igreja,
procurando, com a assistencia do Espirito Santo (cf. Mt 16, 16-19;
Lc 22, 32; Jo 21, 15-17), deduzir desse deposito as conclusoes
nele contidas para ser desdobradas no decorrer da historia do
Cristianismo. Dizia Jesus: "Quando vier o Espirito da verdade, Ele
vos guiara' para a verdade total, porque nao falara' de si mesmo,
mas dira' o que tiver ouvido, e anunciar-vos-a' o que ha' de
vir" (Jo 16, 13).
Tradicao e protestantismo
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O proprio Protestantismo, que afirma so' reconhecer a fonte
biblica, recorre necessariamente `a Tradicao oral em duas ocasi-
oes:
a) ao definir o catalogo dos livros sagrados do Antigo Testa-
mento, Lutero optou pela tradicao dos judeus firmada pelo Sinodo
de Jamnia em 100 d.C., ao passo que a Igreja Catolica, seguindo
o uso dos apostolos, optara pela tradicao dos judeus de Alexandria.
Sem recurso `a tradicao oral nao se pode definir o catalogo sagra-
do, visto que em parte nenhuma da S. Escritura esta' dito qual o
ambito da mesma ou quais livros que, inspirados por Deus, a devem
integrar; e' preciso procurar a delimitacao do canon biblico fora
da Escritura ou na Tradicao oral, isto e', no testemunho que pas-
sou de geracao a geracao desde Abraao ate' hoje (os pais entrega-
ram a Palavra de Deus aos filhos, estes aos netos, estes, por sua
vez, aos bisnetos...).
b) na sua maneira de interpretar a S. Escritura, os protes-
tantes tambem recorrem a uma tradicao. Com efeito, embora o texto
da Biblia seja o mesmo para as diversas denominacoes evangelicas,
estas nao concordam entre si, por exemplo, no tocante ao batismo
de criancas, `a constituicao da Igreja, `a observancia do dia
Senhor, etc. As divergencias nao provem do texto da Biblia como
tal, mas da interpretacao dada a esse texto por cada fundador de
denominacao protestante. Com outras palavras: dependem da tradi-
cao, oral ou escrita, que cada fundador quis iniciar na sua res-
pectiva congregacao. Donde se ve^ que, embora o cristao queira
rejeitar a Tradicao oral, ele a professa sempre: professa a
Tradicao divino-apostolica oriunda de Cristo e dos Apostolos,
ou a tradicao oriunda de Lutero, Calvino, John Knox, Wesley,
John Smith, Hellen Gould White, etc... Isto se explica pelo fato
de que a Palavra escrita jamais pode ser separada da oral; e'
esta que da' vida, atualidade e pleno significado `a letra ou
ao texto escrito. Sem a palavra oral que a traduz de maneira
atualizada e viva, a letra pode tornar-se peca de museu.
Consideracoes finais
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Uma das principais razoes por que o homem moderno concebe
dificuldades para aceitar a tradicao meramente oral como regra
valida, e' o fato de que as instituicoes modernas, desde a epoca
de sua fundacao, costumam ter seus estatutos escritos, os quais
definem com precisao a orientacao doutrinaria e disciplinar da
respectiva instituicao; quem formula os estatutos, se empenha por
incluir neles tudo que deva ser observado como norma, de sorte que
fora do codigo escrito nada pode haver de importante para a confi-
guracao de tal sociedade. Tal praxe e' possivel (e so' se tornou
possivel) apos a descoberta da imprensa por Gutenberg (1468). An-
tes disto, quanto mais se retrocede na serie dos seculos, tanto
mais se verifica que tal praxe era inexequivel, pois a escrita
constituia uma arte dificil mormente nos tempos anteriores e ime-
diatamente subsequentes a Cristo: o instrumento apto para ensinar
e legislar devia forcosamente ser a palavra oral.
Para assegurar a fidelidade na transmissao oral de suas
crencas, os antigos costumavam, de um lado, disciplinar a memoria
e, de outro lado, redigir as suas sentencas sob forma de frases
breves, ritmadas ou cantantes, o que muito facilitava a aprendi-
zagem de cor. Pois bem, foi no mundo habituado a proceder desta
forma que o Filho de Deus anunciou o Evangelho. A Revelacao ou
o deposito de fe' do Cristianismo foi, por conseguinte, transmi-
tido aos homens pelas vias comuns do magisterio de outrora: pa-
lavra oral parcialmente cristalizada na palavra escrita em oca-
sioes esporadicas.
--------------- Fim da transcricao ----------------
Este texto foi copiado da revista "Cavaleiro da Imaculada",
N. 173, maio/93. E' uma adaptacao de um texto extraido do livro
"Dialogos Ecumenicos" (RJ, 1984, p. 31-42) de D. Este^va~o
Bettencourt O.S.B. A mesma revista publicou uma parte 1 no seu
numero 172 (da autoria de Frei Joao Wilk O.F.M.).