To: mundocatolico@egroups.com
From: "Lenimar Nunes de Andrade" 
Date: Sat, 14 Oct 2000 15:46:46 -0300
Subject: Re: [Mundo Catolico] Santo Sudário

Pe. Antonio Carlos Rossi Keller escreveu:

  > 
  >alguém mandou à Lista uma belissima pagina sobre o
  > Santo Sudário. Com a minha mania de deletar tudo.... não  
  > estou encontrando a matéria.
  >     Se alguém a tiver, e puder mandar-me, fico muito agradecido.
  > 

Ha' alguns meses, enviei para esta lista uma reportagem bastante 
completa sobre o  Santo Sudario  que foi publicada no N. 99 da
revista Galieu (ex-Globo Ciencia).  Segue apenas o inicio da
reportagem abaixo.  A reportagem na integra, com varias imagens,
pode ainda ser encontrada em:

       http://www.galileuon.com.br/edic/99

--------------

Mistério e o fascínio do Santo Sudário
============================= 
A ciência revela: o lençol de Turim não é uma fraude. E retoma o
estudo da mais famosa relíquia do mundo

O Sudário de Turim — uma peça de linho que a tradição diz ser o lençol
mortuário de Jesus — abriga pólens de plantas que só existem na região de
Jerusalém e cuja data é anterior ao século 8 d.C. — podendo provir de épocas
bem mais antigas. A informação foi divulgada, em agosto último, pelo botânico
Avinoam Danin, da Universidade Hebraica de Jerusalém. Ela derruba
definitivamente a tese de que o Sudário seria uma falsificação produzida na
Europa durante a Idade Média. Essa idéia, comunicada de maneira
sensacionalista em 1988, baseava-se numa única prova: a datação da relíquia,
realizada pelo método do carbono 14, que fixou como período de sua fabricação
os anos compreendidos entre 1260 e 1390 d.C. A opinião pública embarcou
nessa tese, sem atentar para os seguintes fatos: 

1 - O Sudário já passou por milhares de testes

2 - De todos os experimentos, só o do carbono 14 contestou a autenticidade
     da peça

3 - Os especialistas se opuseram à utilização dessa técnica, devido à grande
     contaminação que o pano sofreu ao longo dos séculos

4 - Harry Gove, o principal responsável pela datação, admitiu que a
     contaminação podia ter falseado os resultados do teste. 

A idéia da falsificação está agora descartada.

A existência dos pólens era conhecida pelos pesquisadores desde 1973, mas
essa informação foi atropelada pelo rolo compressor do teste do 
carbono 14. Ela
devolve ao estudo do Sudário a seriedade que o assunto merece. E chama a
atenção para um "detalhe" que os autores da tese da falsificação se
esqueceram de explicar: como foi produzida a imagem gravada no tecido?

A Síndone (outro nome pelo qual é conhecido o Sudário, derivado da palavra
grega sindón, que significa lençol) apresenta uma imagem muito tênue e
invertida. Ela é reinvertida e revela detalhes espantosos, quando observada no
negativo fotográfico. Esse fato causou enorme surpresa ao advogado italiano
Secondo Pia, que, em 1898, fez a primeira foto do lençol. Surpresa ainda maior
ocorreria quase cem anos mais tarde, em 1974, quando se descobriu que a
imagem comportava também uma informação tridimensional. Verificou-se que
era possível relacionar de maneira rigorosa a intensidade das marcas produzidas
no tecido com a distância que supostamente havia separado pontos do pano do
corpo morto. Com base nisso, dois pesquisadores americanos, John Jackson e
Eric Jumper, utilizando um computador da Nasa, fizeram, em 1978, uma
reconstituição volumétrica integral do corpo. Não se conhece nenhuma imagem
como essa. Para alguns, ela é uma prova da ressurreição de Jesus. Para
outros, continua sendo um mistério insondável. A ciência ainda está longe de
explicá-lo. Mas já lançou muita luz sobre ele, como se verá nas páginas
a seguir.

O lençol apresenta uma imagem dupla, ventral e dorsal, de um homem nu, em
tamanho natural. Os pesquisadores americanos Kenneth Stevenson e Gary
Habermas calculam que ele tinha entre 30 e 35 anos, aproximadamente 1,80 m
de altura e 79 kg de peso. "Era um homem musculoso, habituado ao trabalho
manual", afirmam. Dale Stewart, do Museu Smithsoniano de História Natural,
dos Estados Unidos, diz que a barba, o cabelo e os traços faciais são
característicos do grupo racial semita.

O historiador inglês Ian Wilson foi o primeiro a chamar a atenção para o formato
da longa mecha de cabelo que cai sobre o meio das costas. Ela assemelha-se
muito a uma trança desmanchada. Trançar os cabelos atrás do pescoço era
uma moda comum entre os homens judeus do tempo de Jesus. As numerosas
marcas de ferimentos que aparecem no homem do Sudário revelam que ele foi
brutalmente açoitado, coroado com espinhos, crucificado e perfurado com lança
do lado direito do tórax. Pierre Barbet, cirurgião do hospital Saint-Joseph, de
Paris, e outros especialistas em anatomia e medicina legal antes e depois dele
estudaram exaustivamente essas marcas. E concluíram que elas
correspondem, nos mínimos detalhes, às narrativas sobre a flagelação, morte e
sepultamento de Jesus que aparecem nos Evangelhos. E que acrescentam
informações desconhecidas pela tradição cristã, mas confirmadas pela recente
pesquisa histórica e arqueológica — como o fato de o crucificado ter sido
pregado à barra horizontal da cruz pelos pulsos e não pelos meios das mãos. É
impossível acreditar que falsificadores medievais pudessem saber de tudo isso.
Além de dominar uma técnica de impressão sem paralelos na história, eles
precisariam ter conhecimentos de arqueologia, história, anatomia e fisiologia
que só se tornaram disponíveis no século 20.

A idéia de que os homens do passado seriam muito baixos baseia-se nas dimensões das armaduras
medievais. Mas não leva em conta que estas geralmente pertenciam a jovens pagens e não a
cavaleiros adultos. A altura média dos judeus adultos do século 1 era de 1,77 ou 1,78 m.
gativo fotográfico

Entre 1978 e 1981, um grupo internacional de cientistas do mais alto nível,
reunidos no Projeto de Pesquisa do Sudário de Turim, dedicou, em conjunto,
quase 150 mil horas de trabalho à análise do lençol mortuário. E chegou à
conclusão de que a figura que nele aparece não é uma representação, mas
uma imagem misteriosamente produzida pelo corpo que ele envolveu. Este
apresenta uma grande quantidade de feridas, com uma precisão de detalhes
simplesmente espantosa. É o caso, por exemplo, dos halos formados em
torno das manchas de sangue, decorrentes da separação entre a parte sólida
e o soro. Segundo os pesquisadores do projeto, o corpo exibe sinais
indiscutíveis de morte e rigidez, mas nenhum indício de decomposição ­
informação que foi interpretada por muitos como uma das provas
da ressurreição.

O "mapa" do Sudário, feito sobre o negativo fotográfico do lençol,
revela os seguintes elementos:

       queimaduras devidas ao incêndio que danificou o Sudário em 1532;

       remendos aplicados, em 1534, sobre as partes destruídas do tecido;

       manchas produzidas pela água utilizada para apagar o fogo;

       ferimentos causados pelos açoites nas costas; gotas de sangue
       provocadas por perfurações na cabeça; ferida decorrente do 
transpassamento
       do pulso esquerdo; rastros do sangue que escorreu pelos antebraços durante
       a crucifixão; ferida causada por transpassamento no lado direito do tórax;
       rastro do sangue que escorreu da ferida do tórax; mancha de sangue
       resultante do transpassamento dos pés; contusão produzida pelo transporte
       da barra horizontal da cruz (círculos nas costas).



(CONTINUA  por mais umas 3 paginas ... -- veja no endereco mencionado no inicio)

---------

Abraços,

   Lenimar Nunes


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